terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O anti-herói

Numa madrugada difícil, perdida, magoada, desprotegida e sem um plano B, o meu anti-herói veio me salvar. Mas ele sequer é meu, porque se não o título de anti-herói seria uma farsa.
Nessa madrugada difícil, onde as atitudes das pessoas que me cercam, feriam-me como lanças, uma a uma... E ainda assim eu tive medo de perde-las.
Onde fazia frio, chovia, e eu nem sequer estava vestida pro contexto. Onde estava minha armadura? Gemi de dor, quando meus olhos viram o que o coração não vê.

"Por favor Deus do Salto, faça com que eu me mantenha firme no meu, e leve o meu coração pra longe... Não me deixe fraquejar, aqui." rezei.

No lugar da armadura, apenas um vestido curto e um moletom emprestado por um homem sem pátria.
As pernas expostas vulneráveis, como se quisessem passar uma mensagem que ninguém ouvia:
"Me ajude"
"Se sinto mal"
"Estou exposta"

Amanhecia e meu tempo começava a se esgotar. Apenas paredes frias contemplavam a minha vergonha,
a sujeira pós festa. A sujeira feita comigo. E uma cama com um lugar ainda quente,
que eu pensava ser o meu. Mas esfriava sozinho, antes aquecido por outrem.
Sete da manhã e trocas de sms desesperadas para que ele brotasse no seu cavalo negro,
me desaprovando, para me tirar dali.
Respostas rudes ao telefone, "estou perdida" pensei.
Nem sequer sabia onde estava. Só um sofá e o portão escancarado me faziam companhia,
mas por dentro estava muito mais frio do que por fora.
Impossível sair dessa situação por cima
quis desaparecer.
Não cavalo preto, mas um carro estacionou de frente pra calçada, sem que eu conseguisse ver muito bem quem era, por conta da garoa forte.
Ele.
Meu anti-herói.
Segurei todo o meu amargo e fui em direção ao carro, toda bronca era válida desde que me tirasse daquele pesadelo. Mas ele sorriu... Um sorriso largo e acolhedor, que mal condizia com as palavras ríspidas ao telefone,
e o ar quente de dentro do carro me envolveu como se fosse um abraço.

"- Que cara é essa?" disse divertido.
Espantada, respondi: "- Você não vai brigar comigo por te tirar de casa as sete da manhã com chuva, pra me buscar .... Pós farra..." me encolhi.

Segurou minha mão enquanto dirigia, e eu tentava parecer forte. Disse:
"Tabits, eu estou aqui pra você. É pra isso que eu sirvo."


Desde então, meu herói. Ninguém sabe, ninguém nunca saberá
porque é pecado. É segredo. É cúmplice!

O anti-herói, desde então.



Levei 7 meses pra escrever,  
e quase dois anos pra postar.
Por que as pessoas falham, e eu é que sinto vergonha?








3 comentários:

  1. hahahahaha vc é muito mais interessante do que eu pensei hahahaha, já sabia tinha um jeito incrível de interpretar o mundo porem nunca tinha visto vc passar pro papel, parabéns vc consegue tornar concreto o abstrato que sente, anonimo pq vc vai reconhecer o jeito de escrever.. ;)

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  2. Voltarei a blogar com mais frequência! ;)

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