quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Boneca Torta e Dopada





Ela é minha obra. Sou meio Deus meio ciência. Crio o que já existe, modifico, deixo progredir... Meio responsabilidade minha, e meio fora do meu controle. Eu a adoro minha crianção! Ela me acha meio sádica, puta. Tudo bem, é o que eu sou. A adoro mesmo assim!

Quando percebi ela já estava lá. Não muito boa, já meio amassada, meio pisoteada pela vida, talvez. Não sei por quanto tempo esteve, talvez um bom tempo, mas quando dei por mim, eu já estava traçando seu destino. Ou um pedaço dele, não sou tão controladora, deixo minhas crias seguirem seus caminhos depois das minhas retocadas e pinceladas. As vezes temo criar um monstro depressivo e decadente, mas meu lado sádico se diverte com isso. Sou o inventor louco e sádico de alguma história de Edgar Allan Poe. As vezes vou até o buraco onde minha cria se esconde, checar como a mãe checa o berço do bebê, quem sabe ela não tenha alguma novidade contra mim. Algum plano mais diabólico do que eu. E então encontro o meu sorriso triste. Meu porque ele me pertence, fui eu quem pintei. Ou será que já estava lá, escondido? Não me lembro.

Ela aprende a anestesiar, se dopa. Eu não ensinei, ela aprendeu sozinha, talvez venha assim de fábrica. É uma criança perdida... Todos somos um pouco crianças perdidas. Até mesmo os loucos e sádicos! Até mesmo os doces e maduros.
Logo talvez o meu sadismo nem seja mais lembrado por minha doce criatura. Que me odeia, mas não sabe o quanto a amo. Amor louco, amor de Cientista Maluco e Criação.! Ela é meu Frankstein, minha abominável garotinha. Ela é um pouco eu. Eu sou um pouco ela. 



A minha boneca torta, e dopada.

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