quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Antinatural

Saí para comprar-lhe flores em São Paulo, sem ainda compreender porque a chamam de "Cidade Cinza". Tantos grafites e lojas, acho tudo tão colorido. Até as pessoas tatuadas aqui no centro, tudo é cor!
Encontrei numa esquina sentado, um sujeito que me venderia flores, e fiquei lá escolhendo.

Belas flores recém podadas, pobrezinhas. Também belíssimas flores falsas, confeccionadas a mão. Por outro lado porém, também pobres, eternas e sem vida. Pobres de perfume, pobre de um "triz".
Fiquei em dúvida de qual levar, qual lhe cairia melhor ao toque, a visão, a beleza... Ambas bonitas, tentei pensar então, na que melhor representasse o nosso amor.

A de plástico, resistente, eterna... Como o nosso sentimento incomum, antinatural. Que resiste bravamente entre altos e baixos, todos esses anos.
A orgânica, delicada, de perfume sedutor que atrai, exatamente como nossas vidas se magnetizam, atravessando esses anos, numa alteração de sentidos contante... E que vive assim, sempre por um triz, frágil como todas as vidas são em nosso planeta: Fadadas à morte súbita ou gradual, sempre por um triz.

Já dizia a música:

" Vejo flores em toda parte, nos telhados, nas ruas, embaixo do meu travesseiro. As flores tem cheiro de morte! "

Como já nos questionamos em nossa ultima conversa, não será nosso amor tão belo, pela simples possibilidade de morrer ? De resistir como uma planta inorgânica, mas correr o risco de virar um menino de verdade, como disse a fada azul, e ser devorado por uma baleia? Não sei.

Comprei as duas, tive uma crise, saudades do meu gato e embarquei no primeiro ônibus que me levasse de volta ao pacato litoral. De volta a vida real.

Entreguei as flores aos primeiros estranhos que vi, eles nunca saberão o real significado desse ato. Foi gratificante ver os sorrisos de recebi de volta, estou dividindo o nosso amor e nossa história naquelas duas flores. Seria isso um meio de semear? Também não sei. Sou só uma garota que faz faxina de madrugada e se traveste de poeta.
Perdoe-me se você não compreender o tamanho disso haney, compartilhei o nosso amor com o mundo.
A você, deixo além das cores da cidade, dos grafites, dos beijos e das lembranças, esta carta egoísta.

Do seu amor,


Antinatural. xxx

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