quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Poderia ser diferente...

As vezes gosto de imaginar N situações como se fossem um filme. Principalmente as que aconteceram diferente, ou as que poderiam acontecer. E imagino tudinho, até em desenho as vezes.

Poderia ter sido diferente


O amigo poderia ter sido marido.
Como também poderia ter sido padrinho
Como poderia estar ao menos na foto do retrato.

O amor platônico poderia ter sido real
Poderia ter acontecido de outra forma
Não seriam colegas
Não seriam uma transa a mais
Não seria um beijo frustrado
Não seria o fim da fantasia.

Seria o improvável que aconteceu
o amor que nasceu
A coisa mais incrível que alguém já viu
Poderia ser o pai dos filhos dela
a mãe dos filhos dele
A história mais épica, misturando platonismo, amores impossíveis, destino
e todo o improvável.

Como a história da sereia que observava o mundo ideal de longe
colecionando imagens e velharias daquele lugar
E de repente se transforma, e acontece o improvável.
A história adaptada da garota que vivia no litoral, e se apaixonou por um rosto virtual.
Descobrindo que seu objeto de amor, vivia mais perto do que ela imaginava.

Tão perto, mas tão perto, que a Cinderela chegou primeiro.
E o futuro se desfez.
Se remontando ao contrário, colando os pedaços errados e tortos...

O beijo épico se desfez. Nasceu um frustrado.
As descobertas juntos nunca se realizaram
A revelação não foi incrível
e ela não roubou o seu coração.
O seduziu por uma fração de segundos e nada disso fez diferença.

Podia ser diferente
Podia ter acontecido antes
Podia ter tomado atitude
Poderia não ser um trauma
Podia ser um menino
Ia levar o nome do pai
Edgar.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Oscila

Como a maré, oscila.
Vai e vem, vai e vem, vai e vem.
Se move, e me traga pra dentro de si.
Se move, como uma cobra dançando no balaio
Existe algo louco nela
E isso me instiga

Sei que posso me surpreender
ainda mais.
Do que é que ela gosta? O que é que ela quer?
As vezes penso que sei,
mas como a maré, ela me traga
pra dentro de si
E depois me cospe
de um mar de incertezas
Mergulho ou me afundo sem perceber

Preciso protegê-la de algum mal
mas sou eu que está em apuros.
Será?
As vezes penso que ela se acha tão perigosa
mas também se afunda em si.
E oscila.

Se move.
Eu adoro como ela se move.
Somos tão parecidos
Ela me preenche.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O dia em que o velho Duende foi embora

Vou sentir saudade, apesar de nossas diferenças, das noites divertidas em que eu sempre aprendia algo com ele. Aquele Duende metódico e louco, mas com um coração de ouro.
Talvez eu nunca vá entender, mas no último segundo, ele me provou que era digno, retirando todas as dúvidas que já ousei ter em relação ao seu caráter. Talvez eu nunca vá entender, mas meu Max já sabia.

Aquele Duende me ensinou muitas coisas, como um mestre japonês, ainda posso ouvi-lo na minha cabeça dizendo duro: - JÁ ARRUMOU SUAS COISAS?
- JÁ ORGANIZOU TUDO?
- FAÇA LOGO ANTES QUE VOCÊ SE ATRASE.

Obrigada mestre Duende, mesmo que agora você tenha viajado de volta para a terra da Brumas, sei que vai continuar buscando seu pote de ouro. Porque é isso que você faz de melhor! Você guarda esse relicário que batizamos de coração, e foca nos seus ideais. Eu sei que ele está rachado... E sei que era importante pra você... Mas não fique triste, com o tempo essas rachaduras é que dão o charme.

Uma vez minha irmã me disse "eu odeio despedidas". Agora eu sei como é. Agora você sabe também. Lhe escrevo essa carta, como um fio que ainda nos conecta, porque não o odeio, porque o quero bem, porque nós dois fomos vilões e porque tenho orgulho de você, mesmo tão ranzinza e melancólico, se mostrou tão nobre, tão caridoso... Não quero ser prepotente, mas acho que você aprendeu isso comigo. Eu também aprendi com você.


WORK HARD, PLAY HARD!



Não vou esquecer essa frase, em memória a você! Eu vou mostrar pra todo mundo, como eu sei que você gostaria que eu mostrasse! E eu sei que você vai mostrar também. Então vamos ver quem chega na ponta do arco íris primeiro? Vamos roubar esse pote de ouro!
Não se sinta mal, eu também tenho saudades. É que você é Duende, eu sou ave. E quem tem asas quer voar. Prometo, vou vencer distâncias, mas ao meu jeito. Confie em mim, eu só quero ser feliz!
Agora chega de me emocionar! Não quero mais vê-lo arrastando essas correntes, voe livre como eu.

Culpas, vazios, rancores, tristezas ... Nada disso nos leva a algum lugar. Preencha essas lacunas com tinta, com maquiagem, com água de chuva. Vá ouvir axé, desligue esse blues. Se permita, adote um amigo.
Enfeite essa rachadura com fitas de cetim!
Não transforme os 24 num velório. Encha a cara, tome ácido, corra pelado, nós estamos no fim do mundo!

É a sua primeira vez. Eu já aprendi, você também vai aprender.
A terra das Brumas fica logo ali, mas virando a direita fica mais perto do arco íris do que você imagina!



E no final dele, terá cerveja!


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Antinatural

Saí para comprar-lhe flores em São Paulo, sem ainda compreender porque a chamam de "Cidade Cinza". Tantos grafites e lojas, acho tudo tão colorido. Até as pessoas tatuadas aqui no centro, tudo é cor!
Encontrei numa esquina sentado, um sujeito que me venderia flores, e fiquei lá escolhendo.

Belas flores recém podadas, pobrezinhas. Também belíssimas flores falsas, confeccionadas a mão. Por outro lado porém, também pobres, eternas e sem vida. Pobres de perfume, pobre de um "triz".
Fiquei em dúvida de qual levar, qual lhe cairia melhor ao toque, a visão, a beleza... Ambas bonitas, tentei pensar então, na que melhor representasse o nosso amor.

A de plástico, resistente, eterna... Como o nosso sentimento incomum, antinatural. Que resiste bravamente entre altos e baixos, todos esses anos.
A orgânica, delicada, de perfume sedutor que atrai, exatamente como nossas vidas se magnetizam, atravessando esses anos, numa alteração de sentidos contante... E que vive assim, sempre por um triz, frágil como todas as vidas são em nosso planeta: Fadadas à morte súbita ou gradual, sempre por um triz.

Já dizia a música:

" Vejo flores em toda parte, nos telhados, nas ruas, embaixo do meu travesseiro. As flores tem cheiro de morte! "

Como já nos questionamos em nossa ultima conversa, não será nosso amor tão belo, pela simples possibilidade de morrer ? De resistir como uma planta inorgânica, mas correr o risco de virar um menino de verdade, como disse a fada azul, e ser devorado por uma baleia? Não sei.

Comprei as duas, tive uma crise, saudades do meu gato e embarquei no primeiro ônibus que me levasse de volta ao pacato litoral. De volta a vida real.

Entreguei as flores aos primeiros estranhos que vi, eles nunca saberão o real significado desse ato. Foi gratificante ver os sorrisos de recebi de volta, estou dividindo o nosso amor e nossa história naquelas duas flores. Seria isso um meio de semear? Também não sei. Sou só uma garota que faz faxina de madrugada e se traveste de poeta.
Perdoe-me se você não compreender o tamanho disso haney, compartilhei o nosso amor com o mundo.
A você, deixo além das cores da cidade, dos grafites, dos beijos e das lembranças, esta carta egoísta.

Do seu amor,


Antinatural. xxx

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Numa madrugada qualquer, em um ponto escuro.

Atraídos e magnetizados
os jovens se beijam pelas ruas escuras, e pontos de ônibus vazios
perdidos como crianças descobrindo a madrugada.
O coletivo que o leva em segurança para casa,
torna a despedida certa e infeliz.

Completamente arredios do mundo exterior
ela sabe da embriaguez em suas salivas
ela sente o sangue ferver
a pressão cair
Ele não quer ir embora.
Ela queria que estivessem a sós
Ele sente como se fossem anos
Ela sempre soube.

Um abraço apertado
e ela não sabe se ele percebeu seu peito arquejar
Não sabe se ele entende que é certo
aquele abraço apertado.
Ele a encurrala numa parede
numa atitude de proteção.

Tudo neles é magnetismo
Ela está dentro daquelas íris castanhas
os lábios finos, o queixo adulto.
Ela conhecia aquele queixo desde quando ainda era fino.
Mas os olhos eram sempre iguais
Olhos castanhos e profundos
como fantasmas que ela já viu se materializar.

E ele dividido entre curvas e sensação de bem estar
Entre só querer ficar ali
não partir
Ser filho da noite
e que se dane o amanhecer se não for ao lado dela
Alegria e tristeza caminham lado a lado
e ela já sabia que era o amanhã que a tiraria de seus braços.
Escorregadia como um peixe
vai
Mas sempre volta.