terça-feira, 27 de novembro de 2012

Petrucio, o Petruchio.


Aprender a amar, seja qual for o tipo de amor, é muito bom e reconfortante. Fico aqui imaginando - mesmo sendo uma situação bem diferente da qual eu me refiro - se algumas das pessoas que casavam e casam até hoje por obrigação, se apaixonavam com o tempo. Sei que essa história parece muito "disney" mas apesar de ser pouco provável, não é impossível. Fico imaginando como devia, para elas, ser reconfortante se apaixonar pela pessoa que já estava casada. Uma mistura de carinho e alívio...

Mas isso foi só um devaneio. Na realidade, o amor do qual eu me refiro não é esse amor carnal. Amor de casamento, de humano e humano. Me refiro ao Petrucio, que pra quem não sabe ainda, é um gato. Um gato do qual, inclusive, acabou de levar um tapa na bunda, porque me mordeu, e doeu.

Tem amores que são imediatos. E quem tem bicho em casa sabe provavelmente como é. Aqueles que você passa numa loja, ou num abrigo, ou numa calçada, e seus olhos se cruzam. Simples assim. Você nem está pensando nisso e BUM, você encontrou sua alma gêmea. Acho que amor se manifesta assim pra qualquer ser vivo. Porque nessa descrição eu poderia tanto estar falando de uma pessoa, como de um cão. Basta se permitir sentir. E então é isso, você o encontra. Pode ser um cão, um gato, um pombo... Está ali bem na sua frente o seu melhor amigo da vida toda! Ele pode balançar o rabo, ou miar, ou andar até os seus pés... Coisas normais que animais fazem, mas você vai sentir como se tivessem uma ligação. E você pode leva-lo pra casa ou não. Nem toda história de amor tem final óbvio e feliz, mas a química que vocês vão sentir é um fato. É real! E talvez você nunca mais vá esquecer ... Mas isso também não é uma regra absoluta. A regra absoluta é o que vocês vão sentir ao se encontrarem. sensação de que vocês estão se comunicando. Que ele também te entendia ... Isso é amor.

Ler um livro ao lado do seu amigo, é amor.


Eu citei o fato das pessoas que são unidas por alguma circunstância que não é amor, mas isso se transforma. Quem nunca ganhou um presente, e apesar de não detestá-lo, também não estava nem aí pra ele? Meu falecido amigo cão, Max, foi assim. Eu nem ao menos queria um filhote, mas minha mãe o trouxe pra casa, e eu daria a minha vida por ele algum tempo depois. Nos tornamos grandes amigos.

Max me recebendo em casa, após eu chegar do trabalho.

E só hoje, depois de salvar o Petrúcio da rua, do frio, fome e medo, apesar de cuida-lo com todo o carinho e conforto, somente hoje senti uma ternura ao vê-lo sentadinho no meu corredor.
Ele estava cochilando na cama dos meus pais, e quando acordou parou ali na frente da porta do meu quarto, e ficou sentado esperando eu voltar da cozinha. Não sei explicar exatamente o porquê, talvez vê-lo ali me esperando me fez lembrar de todas as coisas que nos torna próximos, mas eu achei tão meigo. Acho que isso é o amor se mostrando numa de suas formas. É o apego... E é tão bom.

É muito gostoso levantar só um segundo da cadeira do computador pra beber água, ou ir ao banheiro, e ao retornar encontrar ele deitado lá, na maior cara de pau. Ou quando ele dorme tão tranquilo na minha perna, e eu saio arrastando a cadeira de rodinhas pelo quarto todo pra não acordá-lo. Inclusive é muito legal quando ele vem dormir no meu colo por livre e espontânea vontade. Eu sempre quis que os meus gatos fizessem isso quando eu era criança! Ha ha ha ha ... Acho que gatos preferem moças de 20 anos.

E fim.

Obs: "Petruchio" é uma brincadeira com o sotaque paulistano,
que tem grande influencia italiana.
Achei que ficou bom! rs

2 comentários:

  1. Nossa meu amore que lindo você é uma artista. Parabéns! Texto lindíssimo emocionante, resgata um pouco das minhas lembranças de quando morava aí é o Max estava presente em nossa vida. Te amo!

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    1. O Max foi um marco nessa casa né? rs

      Obrigada Kennedy, receber um elogio seu pra mim é mó honra, já que o artista aqui sempre foi você. Boa parte da minha influência também ;]

      também amo você, como se fosse irmão de sangue.

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