segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Onde estará Chili Pimenta

Mês passado enquanto ia caminhar com um amigo na praia, encontramos uma gatinha preta miando e tremendo de frio, toda molhada perto de um portão de uma casa de veraneio. A levei pra casa, e rapidamente ela se revelou uma gata muito atentada. Isso mesmo, nada de serelepe, nada de "levada". Atentada mesmo. Dessas que se você não impor limites, vai ditar as novas regras da casa até o seu ultimo dia de vida. Mas são esses animais problemas que nos roubam o coração, e a gente nem vê.

Já dizia minha mãe: Essa gata veio pra revolucionar!

Rapidamente, como todo filhotinho faz, conquistou a casa inteira. Mesmo derrubando vasos, destruindo trigos, arranhando pernas, fazendo xixi em cortinas e ca-gan-do em mochilas. Quando ela definitivamente aprendeu a usar a caixa de areia, foi uma comemoração como se ela tivesse corrido pela copa do mundo. E corria, nossa, como corria! Corria, pulava, se pendurava, e corria de lado. Por isso o nome: Chili. Chili, de pimenta, Dendê, atentada. Tudo isso pra depois que ninguém lhe desse bola, subir no meu colo enquanto eu usava o computador, e dormir com os braços esticados na minha perna. Ou então dormir em cima da minha barriga, me fazendo espirrar, mas também ter pena de me mexer e acorda-la.
Ou talvez das vezes que eu chegava da rua, e encontrava ela toda esticada, dormindo em cima da mesa do computador. Nem dava pra ver, pretinha, sumia no meio das caixas de som.

A Chili era meio autista. Quando eu tive o meu pequeno Jingle, mesmo antes dele abrir os olhos, nós já tínhamos um vínculo muito forte. Como mãe e filho...
Não sei dizer se, sem exageros, ele fazia parte do meu mundo, ou se ele se tornou o meu mundo. Era "só um gato" mas depois dele eu pude entender um pouco do que é ser mãe. De coração.
Já Chili, apesar de brincalhona, e cá entre nós, não era bem isso que eu procurava em um gato, tinha o mundo dela. Não que por isso eu gostasse menos dela, mas com ela eu sabia o que era solidão a dois. Era como se eu que fizesse parte do mundo divertido da cabecinha de gato dela. Não era como se eu sentisse que ela precisava de mim. Ela precisava, mas era como se não.
Mas eu assumo o que faço, e ela era responsabilidade minha. E eu até me habituei a fazer parte do mundo dela, e não o contrário. Foi bom conhecer a Chili, é bom aceitar as diferenças. Mesmo que isso venha de um gato, nunca se esqueçam "tudo é aprendizado".

E então ela alegrava a casa, com seus saltos leves, corridas de lado e patinhas macias. Eu já estava fazendo planos de leva-la comigo pra São Paulo, ou seja lá qual for o lugar que vou morar se passar no vestibular... Já tinha uma coleira com uma bolinha dourada, que assim que ela tivesse tamanho pra usar, seria substituída por um pingente de pimenta. De Chili Pimenta.

Eaí ela some. Simplesmente some. Não fugiu, pois tinha medo de ir pra rua. Sei lá, foi roubada. Sequestrada, furtada, saqueada. Nem que seja por engano, o caso é que ela desapareceu.
E nem ao menos chip de identificação ela tinha, pois a prefeitura da minha cidade, Praia Grande, é de uma incompetência sem tamanho, e nem vacinação pra raiva anda providenciando, no que dirá instalação de chip para o animal. A Chili danada e problemática, que alegrava a minha casa sumiu. Sabe lá se está sendo bem tratada. Sabe lá se o atual dono já descobriu que ela pegou sarna. Sabe lá se vão devolve-la quando descobrirem, ou se livrarão dela. SABE LÁ.

E eu fiquei aqui. Com a coleira, com as lembranças, com a casa que mais parece um velório sem ela bagunçando, com os planos e as expectativas. Até a caixinha de areia e a ração pra gato parecem tristes agora.


Eaí eu pergunto:

Onde estará Chili Pimenta ?




2 comentários:

  1. poxaaaaaaaa vc procurou em tudooooooo e todos os lugares... aii choreiiiiiiiiiiiii

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    1. Procurei por todo o quarteirão. Procurei até nos sacos pretos de lixo, caso na pior das hipóteses, tenham matado a bichinha só por maldade. Vou continuar procurando, se alguém levou pra casa, uma hora ou outra vai dar alguma brecha e eu vou encontra-la.

      Tomara! A menos que tenham levado pra São Paulo né, aí ferrou.

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