quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Lenda


Quando eu era criança, minha mãe me contava uma história que contavam pra ela, quando ela também era criança. Fala sobre uma menina que tinha lindos e longos cabelos (será que era porque os meus eram grandes, ou será que isso virou uma influencia para que eu deixasse os meus crescerem?) e o rosto cheio de sardinhas ... 
As vezes eu ficava com pena, porque eu pensava que se tratava da minha própria mãe. Mente fértil, de criança.
Continuando: A menina havia perdido a mãe, e seu pai se casado de novo com uma senhora que também tinha uma única filha, mas não desejava ter outras crianças. Especialmente que não fossem dela. A madrasta não gostava dessa menina, pois a considerava um estorvo. Queria que apenas ela própria e sua filha herdassem os bens de seu novo marido.

E então eu perguntava:
- Então quem cuidava dela, mãe ?

E minha mãe respondia:
- Ela tinha que se cuidar sozinha depois que a mãe morreu. Acordava sozinha, e penteava seus cabelos. Penteava, e penteava, depois dividia no meio, e amarrava uma trancinha de cada lado da cabeça. Quando seu pai estava em casa, ele lhe penteava os cabelos, como a mãe falecida costumava fazer. E depois quando o pai voltava a viajar, ia cuidar da roça, que a madrasta lhe obrigava a fazer sozinha .

E seguia a história:
O pai não sabia de absolutamente nada, pois passava o mês inteiro fora trabalhando e só voltava ao algumas vezes. Logo, na frente dele, a madrasta disfarçava, e fingia agir normalmente com a garota.
Mas quando ele ia embora, e a pobrezinha voltava a ser destratada.
Eles tinham uma figueira enorme em suas terras, e a madrasta colocava a menina para vigiar a figueira o dia todo, para que os passarinhos não comessem os figos. E ameaçava:

- Se você deixar esses pássaros comerem os figos, eu vou cortar seus cabelos!

E então ela ia com uma vara nas mãos, e passava o dia inteiro espantando os passarinhos, para só voltar ao entardecer.
Um dia, a garota cochilou com o sol quente lhe batendo na cabeça, e os passarinhos comeram os figos. Sua madrasta descobriu, e como castigo tentou cortar-lhe os cabelos. Mas ela não permitiu, e a madrasta tomara de ódio, levou-a até a figueira e a enterrou viva.
Quando o pai retornou a casa e perguntou pela filha, a madrasta lhe respondeu que ela havia desaparecido, e que perguntou a todos os vizinhos, mas ninguém a tinha visto. O homem ficou desolado, e colocou todos os seus homens atrás da filha, mas ninguém conseguiu encontra-la.
Os dias se passaram, e um vasto capim cresceu envolta da figueira.
Um dia, o pai contratou um rapaz para carpir aquele capinzal que cresceu envolta da figueira, e quando o rapaz começou a bater a inchada, ouviu um canto de menina que parecia vir do chão. Dizia:

" - Não me corte meus cabelos, que meu pai me penteou
Foi o figo da figueira que o passarinho chupou
e a madrasta, me enterrou . ♪ "

O rapaz assustado, correu até o patrão e o avisou do acontecido. Voltaram ao pé da figueira, cavaram, cavaram e cavaram, até que finalmente encontraram: era a sua filha enterrada.
E seus cabelos haviam crescido, e virado aquele capinzal .
Amargurado, o homem voltou para casa como se nada tivesse acontecido, e voltou a perguntar para a madrasta de sua filha. Ouviu a mesma história, de que ela havia saído para brincar e não retornou mais.
Desmascarando-a, ele lhe agarrou pelos cabelos e a levou até seus cavalos.
A amarrou - exatamente pelos cabelos -, e os disparou com ela presa a eles.
(Não sei o que aconteceu a filha dela)
Fim.

É interessante, que depois de grande, descobri que os "senhores" costumavam fazer esse tipo de castigo aos seus escravos. Esse de amarrar aos cavalos e morrerem sendo arrastados. O que prova que essa história é muito antiga.
Detalhe: Minha mãe é baiana, e pra quem fugiu da aula de História/Geografia a Bahia foi o lugar de maior concentração de escravos na história do Brasil.
O que da a entender que talvez essa não seja só uma história distorcida sobre a Cinderela. Pode ser uma história meio modificada, contada pelos escravos. Suponho que seja uma história contada pelos escravos pois tem toda aquela coisa mística da menina morrer e os cabelos virarem capim, e a "alma" dela ficar cantando seu sofrimento, no lugar onde está seu corpo.
Interessante né ?
Tem também a possibilidade de a minha mãe ser muito boa em inventar histórias tristes, pois essa música que a menina cantava, na verdade é uma música de Belchior e Fagner. Chama-se AGUAPÉ.
Ela diz:
" - Capineiro de meu pai, não me corte os meus cabelos
minha mãe me penteou
Minha madrasta me enterrou
pelo figo da figueira que o passarinho beliscou ... ♪ "

Me desculpem por não contar com tanta emoção, é que eu queria dissertar mesmo.

Tábata Borges também é cultura, minha gente! Hahaha

domingo, 4 de setembro de 2011

Alguns tipos de preconceito e repressão que quase ninguém para pra pensar:


Contra mulheres:

A repressão vem com preconceito, violência, agressão, ignorância, cegueira. A mulher que expressa seu desejo livre, que se mostra dona de sua sexualidade, é vista como puta. 

Pois é, colega… se você acha que difícil é ter que manter a ereção, matar barata e aturar as DRs da sua namorada, experimenta vir com uma vagina na sua próxima encarnação. Qualquer sacanagenzinha que você queira fazer estará sujeita a uma vasta gama de xingamentos e repressões. E tem coisa pior que te reprimirem justamente durante o sexo?
Se foder, véio. Depois a gente sai queimando sutiã e vocês não entendem por quê.



Contra ricos:

Se é rico, parece que TEM QUE SER FILHO DA PUTA. Nem todo boyzinho sai dando porrada em todo mundo que encontra na balada porque está muito louco de tequila e se for preso o pai vai pagar a fiança. Sem contar que pra uma pessoa que vive numa condição melhor ser bem vista, ela tem que ser sempre muito legal com todos. Afinal de contas "ninguém tem as condições que essa pessoa tem". Gente, foda-se. Não é porque o cara tem dinheiro que ele tem que sair dando esmola pra todo mundo. Não é porque ele tem dinheiro que ele é obrigado a se sujeitar a ser desmerecido, só porque nasceu em "berço de ouro" e não passou tudo que você "pobre sofrido" passou. O cara não é menos pior ou melhor que ninguém por ter grana. Não deve ser adorado nem odiado. Ele só tem grana e fim. A personalidade dele, nada tem haver com a quantidade de materiais que ele pode comprar.


Contra gente bonita:

Se é bonito, não pode ser inteligente. Se é bonito, TEM QUE SER ARROGANTE. Se é bonito, não pode ser elogiado, se não fica "se sentindo". Sentiram o complexo de inferioridade das outras pessoas ? Não estou dizendo que não existe gente bonita que é tão paparicada que é arrogante. Mas também tem tanto feio que se acha, e ninguém está nem aí. Por que só o bonito tem que ser repreendido? Por que ninguém diz pro feiozinho: "Ponha-se no seu lugar colega, você é ridículo!" ? Porque ele é feio, e não pode brigar com ele, coitadinho.


Pra PIORAR essas são só algumas de todas as coisas que acontecem e eu acho uma grande porcaria.


Vão se foderem né galera.
Passou da hora de crescer e abrir suas mentes.