segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Queda livre

O voo não foi longo, pois o prédio não era alto.
Talvez quatro ou cinco andares.
Mas foi livre, foi libertador e de uma queda só. Só uma chance.
Será que caiu ? Será que pulou ? Alguém empurrou ?
Diagnosticaram como depressão
e o caso foi encerrado.
A vizinhança comentou, mas de nada adiantou.
Estava feito .

Ela se sentia deprimida.
Ninguém poderia entende-la .
Família, amigos, o namorado ... Nem mesmo o cachorro a consolava.
Então subiu até a laje do seu prédio ... Escreveu pedidos de desculpas nas paredes da caixa d'água ...
E voou .
Poderia dizer que foi como uma folha ao vento, mas seria o cúmulo.
Foi queda livre, direto com a cabeça no quintal da casa ao lado .
Morte súbita .
O sangue se espalhava pelo piso como se fosse groselha ...
E já não adiantava chorar pela jarra derramada .

Moradores dizem que o prédio ficou assombrado .
Que o cachorro ficou inquieto,
o namorado inconsolável ...
Ouve-se gemidos ...
E as vezes, a água sai com gosto de ferro, substância rica no sangue.
Seria este o castigo por desejar queda livre ?

Quem pode lhe julgar ? Um ser humano quando comete suicídio já sucumbiu ao pânico.
Está fora de si .
É fácil dizer que foi fraqueza .
Mas não se pode esperar força de um louco .
Louco ?
Ou sede de liberdade ?
O fim do sofrimento,
ou apenas o começo dele ?

De uma forma ou de outra ... A queda é livre.
Mas não deixa de ser uma queda .

Queda livre .

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Confrontos na pré adolescência não tão comuns. Ou sim ?

O quanto um adolescente/pré-adolescente é confrontado com sexo, drogas e relacionamentos amorosos? Eu não quero generalizar, pois cada pessoa amadurece no seu tempo, ninguém é necessariamente igual a ninguém. Mas tenho certeza que se eu começar a escrever aqui, MUITA GENTE vai se identificar! Comigo, tudo começou por volta dos meus 11 anos. Lembro-me que estava na 5º série, num colégio novo e com gente diferente. Foi aí que tudo começou a mudar:

No meu antigo colégio, as crianças da minha idade ainda agiam como crianças na maioria das coisas. Mas meu novo colégio era diferente: a maioria das meninas, já tinham beijado alguém. Ou mentiram. Mas eu acreditava. Porque afinal, do "mundo" que eu vim, ninguém teria motivos pra mentir sobre isso. Porque simplesmente não havia nenhum tipo de pressão em relação a isso. Mas nesse novo colégio sim. Eu não sei como era em relação aos garotos, mas creio que eles também sofriam uma certa pressão dos amigos... Os que "comandavam" o colégio, eram sempre absurdamente maliciosos, e todo mundo achava super normal. Então tentei me adaptar, pois achei que aquilo era o curso natural das coisas. Bem, e ali era mesmo. Se eu agisse ao contrário, eu que seria a estranha. - E cá entre nós, eu já era tida meio como estranha -, mas isso não chegou a me causar muitos problemas. Acho que ninguém se focava muito nisso, pra minha sorte.

O caso é: em plena 5º série, eu já ouvia pessoas fazendo "esquemas" para transar. A garota mais popular, sem dúvida não era mais virgem. Eu ainda tinha aquela inocência de pensar que ela era popular porque era a mais bonita. Mas eu nunca entendi, porque eu via meninas muito mais bonitas do que ela, serem completamente ignoradas. Todos os garotos do colégio, a seguiam como se ela fosse uma cadela no cio. As outras garotas deviam odiá-la, não me lembro, nunca fiquei de conversa com nenhuma delas pra saber.
Meu grupo de amigos não era fofoqueiro, muito menos popular. Estavam mais para os esquisitos (como eu) e excluídos. Mas entre aquele bando de gente agindo como se fossem macacos, para mim, eles eram os mais "normais".

Eu simplesmente aceitava aquilo tudo, mesmo sem entender, na época. Era tão normal irmos para "passeios" de escola, e todos ficarem animadinhos porque iria rolar pegação no ônibus, ou durante o passeio. E eram pegações MESMO. Dessas de enfiar a mão embaixo da blusa e sabe mais o que lá.

Como pode uma criança de 11 anos pensar em tesão!?

Mas que droga, eu tenho quase 19 e ainda penso em príncipes encantados!
Foi uma comparação, não estou aqui para parecer uma avó falando. Não é questão de COSTUMES e MORAL. É que simplesmente milhares de "crianças" andam nessa linha, como bois indo para o abate e nem se dão conta que é só alguém dizendo o que elas devem fazer, e então elas vão e fazem, sem nem pensar se elas na verdade não preferiam só brincar de esconde esconde na rua. Mas era tudo tão "normal" pra eles. Eu tentei ao máximo me encaixar, mas isso era demais! Mesmo assim, fui com a maré. Devagar, mas fui. Aos 13 eu já não era muito diferente desse mundo que parecia tão abominável. Só não era dada a pegações, arrumei um namorado. Do qual passei com ele 3 anos, e vocês já sabem de todo o lenga lenga.
Não sei se poderia ter sido melhor, e sinceramente não acho que tenha sido tão ruim. Mas sem duvida, ao olhar pra trás e lembrar de tudo, é no mínimo PRECOCE e ASSUSTADOR.
Olho para trás e me vejo assim:


Era/é um bombardeio sem fim de quem ficou com quem, quem bolinou quem, quem ainda é ridiculamente virgem, quem nunca beijou, quem é a/o melhor ... É uma pressão tão estúpida para uma criança! É caótico DEMAIS para uma criança.
... Fico pensamento se meus antigos colegas, da 4º série também se sentiram estranhos com aquele bombardeio de informações completamente precoces quando se mudaram para outros colégios... Eu chegava a me sentir suja, por ver o que via. Mas ia com a maré, porque sempre acreditei que era normal. Quando se é criança, seja de idade ou mentalidade, sempre se tem a impressão de que já se é mais adulto do que aparenta. Deve ser por isso que eu tentava aceitar as coisas. Mas no fundo, era só uma menininha tentando ser aceita no circulo social em que estava vivendo. Felizmente, um circulo do qual eu não pertencia, e fui um pouco afastada, meses depois.
Foi quando me mudei para um colégio menos "barra pesada". Mas não que fosse tudo "calmo e santo". Simplesmente era mais tranquilo, o que rolava de errado era meio por baixo do pano. Então pude viver uma parte da minha pré adolescência em paz! Dali em diante, nada mais que eu lembre, fora o meu namoro estranho, era precoce. Tinha sim alguém tento problemas com drogas, sexo, família ... Sei lá, muita coisa. Mas não era mais tão problema meu. Eu nem chegava a ter ciência disso.
Fiquei em paz.
Depois de ser confrontada com relacionamentos amorosos e sexualidade, vieram outros confrontos. Vieram as drogas.


Mas isso ... 
é assunto pra outro post .

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Conto inútil


- Que tontura, onde estou ? -
Olho pela fresta da janela do meu quarto, ainda é dia. Ao menos não serei tomada por aquela depressão de acordar num fim de tarde, ou aquele desespero de acordar no meio da noite, descobrindo assim, que dormi o dia todo. Perdi o dia todo
- Que horas devem ser agora ? -
Rezo para que seja no máximo 15:00. Tenho que telefonar para um amigo, tenho que verificar se o namorado está online, preciso estudar … Minha nossa que tontura chata!
Me espreguiço, ouço um dos meus pés estalarem. Adoro isso! Aprendi com meu tio a acordar, se espreguiçar e estalar o pé. Abro os olhos novamente, e levanto a cabeça rapidamente. Num impulso, o corpo também se levanta e logo estou fora da cama. Olho tudo envolta, ligo o computador ainda zumbi, clicando no botão da cpu com o dedão do pé. Devo ser uma macaca, faço muitas coisas apenas com o pé.
Vou até o banheiro, que frio! Volto. Ninguém me viu, só a Holly no interesse de me seguir até o quarto, e dormir na minha cama quentinha. Cachorra esperta, não é a toa que somos do mesmo signo. E quem liga ?
Vegeto um pouco no computador. Meu namorado acordou meio maluco hoje, com mania de conspiração contra a internet. Não consigo acompanhar o que ele diz, estou muito sonolenta. Nada daquilo consegue me despertar interesse. Até o momento que percebo que ele está praticamente anulando todas as suas redes sociais. Fudeu: Lá se vão seus pedidos de desculpas, e lá se vão os poucos meios que tenho de ser mimada. Fazer o que. Acho que o destino quer fervorosamente que eu viva como solteira, apesar de estar namorando.
Vai ver que é castigo.
Não ligo, ainda estou com muito sono. Mas sei a falta que me fará.
Quem liga? Ele que não. Com certeza.


Até logo computador.
Hoje falei muito, e não disse nada.